Bandeira do BrasilO fim do Período Colonial começou com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro. Em 1815, o país foi elevado a Reino Unido de Portugal. Essa mudança causou alterações na política, economia e na sociedade da colônia. O império no Brasil começou, realmente, em 1822, após a independência do Brasil e permaneceu até o ano de 1889, com a Proclamação da República. O período é dividido em Primeiro e Segundo Reinado e Regência. Durante esses anos, o Brasil foi comandado por Dom Pedro I, seu filho Dom Pedro II e pelos regentes.

Chegada da Família Real

Com o eminente ataque francês em Portugal, os nobres portugueses decidiram mudar-se para o Brasil com aproximadamente 15 mil pessoas. Primeiramente ele autorizou a abertura dos portos e a criação de fábricas no país. Em março de 1808 ele chegou ao Rio de Janeiro e transformou a cidade na residência da corte portuguesa.

O Brasil passou a ser chamado de Reino Unido de Algarves e foram criados os ministérios do Interior, da Marinha, Fazenda e da Guerra. Foram criados órgãos para o andamento do governo como o Supremo Tribunal, o Banco do Brasil e a Casa da Moeda. A chegada da Coroa Portuguesa não agradou os moradores que aqui viviam, pois tinham que fornecer alimentos, tecidos e suas casas para a comitiva que chegou com D. João. As pessoas poderiam escolher qualquer casa para morar e o morador deveria encontrar outro lugar para viver.

D. João foi embora do país em 1821 após a eclosão da Revolução do Porto. Ele deixou no Brasil seu filho D. Pedro.

A vinda da família real portuguesa deixou diversas heranças para os cariocas. Foram diversas praças, monumentos e prédios públicos financiados pela elite e atribuídos à Coroa. Surgiu o Palácio Real, o Palácio da Quinta da Boa Vista e a fazenda de Santa Cruz, que serviam de residência para a família real. Atualmente, na Quinta da Boa Vista fica o Zoológico da cidade e o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Já o Paço Imperial foi tombado pelo Patrimônio Histórico.

Curiosidades da Independência do Brasil

  • O brasil pagou 2 milhões de libras para Portugal pela sua independência;
  • D. Pedro estava montando em um burro e não em um cavalo durante o grito da independência.

Independência do Brasil

Quando a França impôs o Bloqueio Continental em 1806, Portugal sofreu duras sanções com a falta de relação econômica com a Inglaterra. Napoleão Bonaparte ameaçou invadir o país lusitano e o Regente, D. João, resolveu refugiar-se no Brasil. Em 1908, ocorreu a abertura dos portos e o fim do Pacto Colonial.

Em 1920, em Portugal, estavam sendo criadas medidas que buscavam retomar o capitalismo por lá e isso iria refletir na condição de colônia do Brasil. Cada vez mais, Portugal e Brasil discordavam das decisões que eram tomadas pela Família Real. Para que o país pudesse manter suas províncias, o chefe brasileiro deveria ser o príncipe regente que ficou na colônia quando seu pai voltou para Portugal.

A presença do príncipe era a esperança de que o Brasil não voltaria à condição de colônia. Em junho de 1822, Dom Pedro I convocou uma Assembleia Constituinte, para que o país pudesse estabelecer condições para uma possível independência, que aconteceu em setembro do mesmo ano, às margens do Rio Ipiranga. Uma das participações mais importantes nesse período foi do brasileiro José Bonifácio, que recebeu o nome de Patriarca da Independência.

O governo brasileiro precisava que a Independência do Brasil fosse reconhecida pelas monarquias absolutistas da Europa. O primeiro país a reconhecer foi os Estados Unidos e, posteriormente, a Coroa Portuguesa também reconheceu a Independência do Brasil. Todas as nações europeias afirmaram a independência, mas os países latino-americanos olhavam para o Império com desconfiança.

Período Regencial

Casas Brasil ImpérioDom Pedro I abdicou do trono em 1831 e deixou-o como herança para seu filho, Pedro de Alcântara, que ainda tinha 5 anos. Como ele ainda era muito novo, o país passou ser governado por regentes até o momento da maioridade do menino.

Esse período do Brasil Império sofreu com diversos problemas como alterações políticas e várias rebeliões espalhadas pelas províncias. No Período Regencial, surgiram dois novos partidos, além do Português e Brasileiro: o Moderado e o Exaltado. Enquanto isso, o Partido Português alterou seu nome para Partido Restaurador, sob a liderança de José Bonifácio.

Partido Moderado

Defendiam os donos das grandes propriedades rurais e eram chamados de chimangos. Acreditavam que uma maior autonomia das províncias era o melhor para o país. Além disso, eles acreditavam na aplicação de uma monarquia moderada e a continuação da escravidão. Os nomes mais importantes desse partido foram Diogo Antônio Feijó e Evaristo da Veiga.

Partido Exaltado

Esse partido procurava defender a população urbana e eram chamados de farroupilhas. Defendiam o federalismo e autonomia das províncias. Queriam retirar a monarquia para implantar o regime republicano. Seus maiores representantes foram Cipriano Barata e Borges da Fonseca.

Com a saída do Imperador, os três partidos, Português, Moderado e Exaltado, começaram a se articular para decidirem os rumos do Brasil. A regência que iria governar foi decidida pelo Poder Legislativo. Ela ficou no poder por apenas quatro meses e recebeu o nome de Regência Trina Provisória. Com o fim da regência provisória, foi escolhida a Regência Trina Permanente, que ficou no poder de 1831 a 1835. Nesse período, o Partido Moderado tinha ampla influência no poder com a escolha de Diogo Antônio Feijó para ministro da Justiça. Ele foi responsável pela criação da Guarda Nacional, que realizou a proteção de propriedades rurais, combateu a escravidão e as revoltas.

Regência Una

Em 1834, foi instituído um Ato Adicional quando ficou estabelecido que a Regência Trina Permanente fosse comandada por apenas uma pessoa. Ela teria o mandato com duração de quatro anos e o primeiro escolhido foi Feijó, que ficou no cargo de 1835 a 1837. Durante seu mandato, ocorreram muitas revoltas e rebeliões e, por isso, ele renunciou em 1837. Foi substituído pelo senador pernambucano, Pedro Araújo Lima. Com Pedro Araújo, o poder centralizado ganhou mais força, as revoltas foram sufocadas e a Guarda Nacional passou a ser comandada pelo poder central.

Com os diversos problemas na Regência, alguns parlamentares começaram a planejar, a partir de 1837, projetos de lei para estabelecer antecipadamente a maioridade do herdeiro do trono. Surgiu, em 1840, o Clube da Maioridade, que criou a emenda constitucional para antecipar a maioridade do imperador. Com isso Pedro 2º foi coroado a Imperador e iniciou o Segundo Reinado.

Conflitos no Brasil Império

Confederação do Equador

Canhão de GuerraCom a Constituição de 1824, diversas vertentes sociais ficaram descontentes e começaram com rebeliões nas províncias. A Confederação do Equador começou em Pernambuco e se espalhou por outras cidades do nordeste e norte (Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, dentre outros). Os principais líderes do movimento foram Cipriano Barata e Frei Caneca. Essa revolta recebeu esse nome porque as províncias que participaram ficavam próximas à linha do Equador. Eles exigiam a manutenção de uma política federalista; porém, foram reprimidos pelas tropas de Dom Pedro I.

Cabanagem (1833-1839)

Essa rebelião surgiu no Período Regencial, marcado por conflitos em várias províncias do Brasil. Ocorreu no Pará, em 1835, e recebeu esse nome devido à característica das pessoas que participaram da revolta. Eram pessoas que viviam em cabanas próximas aos rios. Recebiam o nome de cabanos e eram formados por negros, índios e mestiços, que ficaram transtornados com a situação de calamidade em que viviam. Os principais líderes foram Vicente Ferreira Lavor, um jornalista; os lavradores Francisco Pedro e Antônio Vinagre; o fazendeiro Clemente Malcher e o padre Batista Campos.

Em janeiro daquele ano, os revoltosos tomaram a cidade de Belém e mataram o presidente da província e outras pessoas importantes da região. O problema é que eles não conseguiram manter o poder por um longo período. As brigas e divergências internas foram os principais motivos para o fracasso da Cabanagem.

Quem ficou no governo foi Clemente Malcher, que acabou se aliando ao imperador. Porém, ao tentar aplicar um golpe, ele foi morto e o poder passou para as mãos de Francisco Vinagre, que realizou o mesmo procedimento do antecessor: declarou-se fiel ao Império. Foi montada uma força militar para invadir a cidade de Belém, que foi tomada, mas os cabanos se reorganizaram e voltaram para a cidade para proclamar a República.

Novamente, a falta de cumplicidade entre os participantes da revolta foi crucial para instaurar o seu fim. Somente em abril de 1836, o governo conseguiu controlar a cidade e elegeu um novo presidente para o local. Os conflitos perduraram por cinco anos e mataram uma considerável parcela da população paraense.

Sabinada e Balaiada

Sabinada (1837-1838) 

Escultura Soldado de GuerraEssa rebelião ocorreu na Bahia e recebeu esse nome graças a um de seus líderes, Francisco Sabino Vieira. Os participantes da revolta eram formados por oficiais militares, funcionários públicos, artesãos e comerciantes. A revolta eclodiu em novembro de 1837, quando os líderes foram para o forte de São Pedro. O presidente da província acabou fugindo da cidade, devido ao controle imposto pelos revoltosos.

Os rebeldes tomaram a Câmara Municipal de Salvador e declararam a independência com a escolha de João Carneiro da Silva Rego para presidente. Vários problemas tiveram influência no enfraquecimento do movimento. As famílias mais ricas e os funcionários públicos fugiram da cidade de Salvador e o ex-presidente recebeu o apoio de Alexandre Gomes de Argolo Ferrão, um conhecido senhor de engenho. Ele foi o responsável pelo plano contra a Sabinada.

O governo que fugiu da cidade começou a articular planos com o apoio da Guarda Nacional para evitar que a revolta se espalhasse por outras cidades da Bahia. Salvador ficou isolada e, em dezembro, já faltavam diversos alimentos. Em 1838, vários bens foram confiscados e foi prometido o fim da escravidão para os escravos que participassem das tropas revolucionárias.

Em março, os rebeldes foram derrotados com a entrada das tropas legalistas em Salvador. Sabino foi preso em 22 de março e cerca de quatro mil rebeldes foram mortos e presos. Os chefes do movimento foram condenados à morte, mas receberam anistia após o Golpe da Maioridade.

Balaiada (1838-1841)

 A balaiada começou na província do Maranhão e recebeu esse nome porque um de seus principais líderes era Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, que tinha o apelido de Balaio. Seu diferencial foi a participação totalmente popular contra os proprietários de terra. Os problemas com as condições de vida da população eram uma das reivindicações dos revoltosos. A economia baseada na produção do algodão também estava sofrendo um baque com a produção de outros países. 

Os trabalhadores livres, camponeses, escravos e vaqueiros eram as pessoas que estavam em situação de fome e miséria e que sofriam com maus tratos. Por isso, eles começaram a se mobilizar para alterar a situação e lutar contra isso. Enquanto isso, a classe média se encontrava descontente com a política local.

O início realmente da revolta foi em 1838, quando eles tomaram a cidade de Caxias, uma das mais importantes da província. Foi estabelecido um governo provisório e instituíram o fim da Guarda Nacional e a expulsão dos portugueses residentes na região. A rebelião passou a atrair pessoas de caráter duvidoso, como bandidos e criminosos.

Com a inclusão de pessoas mais radicais no movimento, a classe média abandonou a Balaiada e passaram a apoiar os militares que foram para a região combater a revolta. O combate contra a revolta foi bem violento, com a morte de muitos escravos e camponeses, a qual acabou em 1841. Os que foram presos, receberam anistia de Pedro II

Revolução Praieira e Guerra do Paraguai

Revolução Praieira

Canhão de Guerra AntigoA Revolução Praieira teve início em 1848, em Pernambuco, e foi a última revolta contra a monarquia e contra os donos de propriedades rurais. Teve início devido aos problemas políticos e econômicos da província. A população se encontrava empobrecida devido à queda na produção de açúcar e algodão. Os portugueses que viviam na região não contratavam brasileiros e tinham vantagens em relação ao comércio e venda de produtos. Além disso, problemas com a concentração de poder inquietavam a população.

Em 1842, foi fundado o Partido da Praia, que era liderado por democratas e liberais pernambucanos. Eles pretendiam falar sobre seus ideais e pensavam em pegar em armas para acabar com os problemas da província. Por isso que essa revolta recebe o nome de Praieira, devido ao Partido da Praia que liderou o movimento. Inicialmente, eles conquistaram Olinda e passaram a tomar outras cidades.

Porém, eles não conseguiram conquistar a cidade de Recife e a revolução foi combatida em diversos pontos. Posteriormente, ela continuou em cidades menores e foi totalmente combatida em 1849. Os principais participantes foram presos, mortos ou anistiados.

Guerra do Paraguai

Entre a participação do país em conflitos internacionais, a Guerra do Paraguai foi o mais longo, pois teve início em 1864 e terminou apenas em 1870. O Paraguai saiu derrotado contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). A guerra teve início após a pretensão do presidente paraguaio, Francisco Solano López, expandir os territórios de seu país, invadindo terras nos três países da tríplice.

Os paraguaios sofriam com a desigualdade social, uma economia deficiente e um pequeno contingente militar. Durante os seis anos da guerra, ocorreram muitas batalhas que deixaram milhares de mortos. Dom Pedro II nomeou Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias, para comandar as tropas brasileiras e, depois disso, o Brasil ganhou diversas batalhas na guerra.

As tropas brasileiras invadiram a capital do Paraguai em 1869 e a guerra teve fim no ano seguinte. Cerca de 80% da população paraguaia morreu e suas indústrias sofreram fortes avarias. Além disso, eles ficaram bastante endividados. O Brasil também sofreu com problemas econômicos devido aos encargos e dívidas adquiridas na guerra.